Abril Marrom e Aldeia em Foco: Conscientização, tecnologia e o legado do Instituto Suel Abujamra
- Agência Marandu
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Atualizado: há 4 dias
O mês de abril é marcado pela campanha Abril Marrom, dedicada a alertar a população sobre a importância da saúde ocular. Idealizada em 2016 pelo Prof. Dr. Suel Abujamra, renomado oftalmologista e ex-presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a iniciativa tem como objetivo reduzir os índices de cegueira evitável no país, promovendo a conscientização sobre doenças oculares e o diagnóstico precoce.

Dados do IAPB Awareness e OMS mostram que 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com perda de visão que poderia ser prevenida ou tratada, e 9 em cada 10 casos de cegueira podem ser evitados quando há acesso a recursos de diagnóstico e tratamento.
Em um cenário em que o atendimento oftalmológico ainda é concentrado em grandes centros urbanos, iniciativas como o Aldeia em Foco — projeto idealizado pelo Instituto Suel Abujamra — assumem papel fundamental ao levar exames e cirurgias a regiões de difícil acesso, sobretudo aldeias indígenas.
A importância do Abril Marrom
A campanha Abril Marrom existe para conscientizar sobre doenças oculares, como catarata, glaucoma e retinopatia diabética, que muitas vezes se desenvolvem sem sintomas aparentes. A proposta é estimular a prevenção, a busca por exames oftalmológicos e a disseminação de informações seguras sobre tratamento.
De acordo com órgãos internacionais, 90% das pessoas com perda de visão vivem em países de baixa ou média renda, sendo grupos indígenas e moradores de zonas rurais algumas das populações mais afetadas.

Criador do Abril Marrom e pioneiro no diagnóstico e tratamento da retinopatia diabética, o Dr. Suel Abujamra sempre defendeu a saúde ocular como um direito humano fundamental. Em uma de suas falas, ele expressou a frustração de ver a prevenção de cegueira ser deixada em segundo plano pelas autoridades:
“Estou formado há 57 anos, passei por 18 presidentes da República e 39 ministros da Saúde e nunca vi a prevenção da cegueira ser tratada como prioridade de governo. Depois da lucidez, a visão é nosso maior patrimônio, mas, politicamente, recebe atenção mínima. Precisamos de acesso imediato ao atendimento oftalmológico, pois sem diagnóstico e tratamento precoce, muitas doenças visuais progridem de forma irreversível.” — Prof. Dr. Suel Abujamra
A influência do Dr. Suel Abujamra e o Instituto
O Instituto Suel Abujamra, que carrega o nome do oftalmologista Dr. Suel Abujamra, foi criado com o propósito de democratizar o acesso à saúde ocular. Embora o Dr. Suel seja amplamente reconhecido na área, o Aldeia em Foco é fruto de um esforço coletivo que segue os valores defendidos por ele: combater a cegueira evitável e tornar o atendimento oftalmológico uma realidade para todos.
A partir desse ideal, surgiu a iniciativa de levar equipamentos portáteis a comunidades indígenas, um modelo que inverte a lógica de deslocamento: em vez de trazer as pessoas até a cidade, leva-se a estrutura de consultas e diagnósticos para dentro das aldeias, superando barreiras logísticas e culturais.

O Aldeia em Foco em ação
No Aldeia em Foco, a equipe utiliza tecnologia portátil de ponta, incluindo autorrefratores, retinógrafos e tonômetros, todos adaptados para funcionar com energia solar e acesso móvel à internet. Isso garante:
Diagnósticos completos em campo: Exames como acuidade visual, retinografia e medição de pressão intraocular podem ser feitos na própria aldeia.
Inteligência artificial e telemedicina: Suporte técnico e interpretação de resultados à distância, agilizando o tratamento.
Entrega imediata de óculos: Sempre que possível, a correção visual é fornecida no mesmo dia.
Encaminhamento para cirurgias: Quando há necessidade de procedimentos, a equipe providencia toda a logística para realizá-los, acompanhando o paciente até a recuperação.
Desde o início do projeto, mais de 10.400 pessoas já foram atendidas, com 6.000 óculos entregues e centenas de cirurgias oftalmológicas viabilizadas. O Aldeia em Foco também recebeu prêmios nacionais e internacionais, reforçando o impacto concreto que essa abordagem tem na vida de comunidades historicamente pouco assistidas.
Por que Abril Marrom e Aldeia em Foco andam juntos
O Abril Marrom enfatiza a prevenção e o diagnóstico precoce, enquanto o Aldeia em Foco concretiza esse objetivo ao tornar o cuidado oftalmológico acessível em regiões distantes. Ambos os movimentos compartilham a ideia de que enxergar é um direito fundamental, alinhando-se às recomendações de organizações como a OMS, que reconhece a visão como parte essencial da cobertura universal de saúde.

Além disso, estudos apontam que corrigir a visão pode aumentar a produtividade em cerca de 22%, e a falta de acesso à saúde ocular impacta toda a subsistência de comunidades. O trabalho do Aldeia em Foco, inspirado nos princípios do Instituto Suel Abujamra, mostra como ações estruturadas podem reduzir a desigualdade e preservar a cultura das populações indígenas, que dependem da visão para manter práticas de pesca, artesanato, caça e transmissão de saberes ancestrais.
Perspectivas futuras
Com objetivos ambiciosos, o Aldeia em Foco planeja:
Realizar 25 mil atendimentos e distribuir 15 mil óculos até 2025;
Viabilizar 625 cirurgias, garantindo um ciclo de cuidado completo;
Publicar um manual aberto, permitindo a replicação do modelo em outras regiões;
Expandir sua atuação para países da América Latina, contribuindo para a erradicação da cegueira evitável em áreas remotas.
Essas metas reforçam o compromisso de aliar inovação, empatia e responsabilidade social — princípios que guiam o Instituto Suel Abujamra desde sua fundação e se refletem no projeto.
Um Futuro Mais Inclusivo
O Abril Marrom nos lembra que a prevenção de doenças oculares é fundamental para evitar que milhões de pessoas percam a visão por falta de diagnóstico e tratamento. Projetos como o Aldeia em Foco, idealizados pelo Instituto Suel Abujamra, ilustram como essas campanhas de conscientização podem sair do papel e chegar onde é mais necessário, unindo tecnologia, logística inteligente e respeito cultural.

Seja participando de campanhas de saúde, compartilhando informações ou apoiando iniciativas como o Aldeia em Foco, cada um de nós pode contribuir para um futuro em que ver bem seja uma realidade possível para todos. Afinal, ao enxergar melhor, cada indivíduo — e toda uma comunidade — pode viver com mais autonomia, dignidade e preservação de suas tradições.
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